quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Um ano sem NBA...

Kevin Garnett, jogador do Boston Celtics. Sem acordo com a liga.
Administrar paixões é complicado. Se trata de ser responsável pelo sucesso de algo que está além do que pode ser compreendido pela nossa vã filosofia. Ao se aprofundar no contexto de paixões dentro do esporte, abre-se imediatamente um vasto leque de dores de cabeça: ter de lidar com fãs, imprensa, locais de treino, preparo físico, patrocínios, etc... Agora meu amigo, quando se trata de paixões no esporte... nos Estados Unidos é uma dor de cabeçaaa! O por quê são os interesses que levam uns a não abrir mão do pedaço do bolo. Imagina se esse bolo é de chocolate com calda de morango e recheio de doce de leite. Deu água na boca não deu? Pois é, essa maravilha ninguém quer dividir.
Na NBA, existem dois lados e esses dois lados não querem conversa até aqui. Os dois lados de sempre: proprietários e sindicato dos jogadores. Estamos desde o dia 1º de julho acompanhando um lockout na Liga. O que é lockout? Lockout nada mais é que um recesso de todas as atividades de uma empresa, ou equipe. A NBA quer reduzir o repasse do faturamento aos atletas. Em 2010, a fatia era de 57%. Os donos queriam abaixar para 47%, quando em contra-partida os jogadores queriam 53%.
A razão dessa diminuição nos repasses são os prejuízos que as franquias tiveram ano passado, (dos 30 times, 22 deram tiveram sérios problemas em caixa) o que segundo os donos seria praticamente inaceitável  continuar permanecendo com os mesmos repasses. Os atletas alegam que houve um aumento no recebimento pelas transmissões na última temporada pelas TVs, sites e diversas mídias.
No final de outubro, representantes dos dois lados tiveram reuniões de portas fechadas, onde permaneceram por mais de horas a fio. Os atletas então baixaram a "oferta" para 52,5% do faturamento mensal das franquias, cedendo dentro limite proposto pelo sindicato. Os proprietários semanas atrás já haviam baixado a proposta pra uma divisão igualitária para ambos os lados (50%, ou seja, metade de tudo), rechaçado pelos jogadores que exigem nem uma proposta inferior aos já citados 52,5%. Fica a pergunta: Haverá partidas do melhor basquete do mundo esse ano?

Dirk Nowitzki e o Dallas Mavericks. Atuais campeões da NBA.
A resposta é não até aqui. Diferentemente do lockout que sofreu a NFL meses antes do inicio da temporada regular, aqui a situação é bem mais embaraçosa pelo argumento veemente dos donos e da postura irredutível dos atletas até aqui. Muitos ganham milhões e milhões por mês para jogar na NBA. Não seria tão injusto e maléfico como propagam, caso aceitem a "oferta" feita pelos donos: metade para cada lado. Em minha opinião seria justo, não reduziria imensamente o salário dos jogadores. Nem morreriam de fome, já que ainda contam com receitas de publicidade, contratos individuais, etc. Voltariam a fazer o que supostamente amam fazer: jogar basquete e retomaria suas vidas normalmente.
Essa é a segunda vez na história da liga que os jogos terão de ser cancelados. A primeira vez foi na temporada 1998/1999. Desde lá, ouve um contrato que foi modificado em 2005 e que teve fim em junho desse ano. Até aqui, devido ao fracasso da ultima reunião, o comissário da liga, David Stern declarou que estaria cancelado todos os jogos da temporada regular até o dia 30 de novembro. "Não é pratico, possível e prudente ter uma temporada completa agora", declarou. Pois é fãs de esportes americanos, tudo caminha para um ano sem NBA, infelizmente! 
Vale ressaltar que muitos jogadores já migraram para a Europa a procura de emprego. O primeiro a debandar migração para solo europeu foi o armador Deron Williams, ex-New Jersey Nets, que vai jogar no Besiktas, da Turquia. Houve inúmeras propostas e sondagens em cima de estrelas da liga como Kobe Bryant, Kevin Garnett, LeBron James, entre outros. Muitos ainda preferem ficar em solo americano, junto da família e esperando a tempestade passar. E ela vai passar, cedo ou tarde... 


David Stern, comissário da NBA em coletiva.

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